5 de junho de 2010

Certas imagens falam por si mesmas...


Certas imagens falam por si mesmas...
Porém, cada qual tem a sua interpretação.

2 de maio de 2010

Olhe Bem



Parando um pouco com as atribulações do dia e olhando em volta, pude reparar em algo que sempre foi evidente, mas ainda não tinha me dado conta: o quanto somos todos pobres e ricos ao mesmo tempo.

Você pode pensar que não é bem assim, mas se olhar melhor verá que tenho razão. Uns, com as reservas financeiras lá no pé, invejando quem não sabe mais onde enfiar seu dinheiro e como gastá-lo, pois o excesso sempre pede por escoamento! Por sua vez, estes, também sentem inveja, pois não conseguem sentir prazer em coisas simples como o outro que com pouco tem maior satisfação! Esta balança parece desnivelada, mas não está! Ela se mantém neutralizada pela lei da polaridade, que nos mostra que tudo o que está num extremo, tem seu oposto em outro extremo. Quem está rico externamente, mostra pobreza interna e quem está rico internamente está pobre externamente. Portanto, estamos todos no mesmo barco e ninguém pode dizer que está pior ou melhor, tudo depende do ponto de vista.

Também não se defende aqui a pobreza para sentir felicidade. O que quero dizer é que quando temos dificuldades pensamos que se estivéssemos em pólo oposto estaríamos melhor, mas na verdade isto não garante felicidade, mas nos mostra que estamos em desequilíbrio e precisamos resolver o que nos falta para atingirmos o caminho do meio, a Lei, onde temos em equilíbrio os extremos. Onde riqueza externa reflete riqueza interna e isto não se refere exclusivamente a bens materiais, mas à suficiência para se integrar ao tudo e ao todo e fazer parte. Ser um que se soma, se integra, colabora com a evolução.

Parece que fomos feitos para buscar estímulo e motivo para usar sempre os recursos internos já desenvolvidos e desenvolver aqueles ainda em estado de embrião. Modificar erros de abordagem e constatar escolhas corretas. E tudo ocorre neste palco que chamamos vida.Hora pra cá, hora pra lá. O pêndulo da vida nos imprime um ritmo, que só os mais sábios sabem evitar, mas como não estamos aqui nos incluindo nesta espécie de pessoas, vamos seguindo nossa rota até alcançarmos sabedoria suficiente para sermos donos de nosso próprio destino.Voltando para a pobreza e riqueza, podemos concluir que todos somos pobres em alguma coisa e ricos em outra. Ninguém aqui pode invejar, vangloriar-se, sentir-se seguro demais ou perdido, sem saída. Cada um tem seu quinhão de sabedoria e ignorância. Os meios e as circunstâncias nos revelam o que temos para aprimorar e o que podemos usar como ferramenta para evoluir e apurar nossa função nesta coisa que chamamos sociedade, cada vez mais atrapalhada na colheita de suas próprias escolhas.

Portanto, sem perder tempo com a inveja, cada qual que levante suas mangas e trabalhe por si, para poder ser alguém melhor, pelo menos, para servir de exemplo. Já é um bom começo!

(Ala Voloshyn)

6 de abril de 2010

Coisas do Amor

Esta semana recebi um comentário muito carinhoso de um leitor que simplificava nossa vida. Ele falava da formação de um circulo virtuoso – de dar e receber – dentro de uma relação como uma troca possível e prazerosa.
A questão – afirmava ele – era só definir quem começaria com o festival de gentilezas!

Adorei! De verdade, acredito que essa é uma possibilidade quando o amor, o encontro acontece! E, então, lembrei-me da história de uma grande amiga, lá por volta de seus 60 anos – solteira. Durante sua juventude havia vivido grandes paixões.
Com um perfil daquelas que amam demais, se dedicam demais, cruzou mares para seguir seus amores e amou – amou como se não houvesse o amanhã.

Cheia de amor para dar

Agora, mais madura, estava só com seus gatinhos e cachorros… Sim, ela os tem aos montes e ama a cada um deles como se fosse um milagre! Bem, esse ser – com tanto amor para dar – não poderia terminar sozinha nessa história, certo?

Escritora de livros infanto-juvenis, ela é uma das personalidades que contribuiu e contribui para tornar o ensino da história brasileira algo divertido, gostoso. Possui diferentes livros publicados, fala três idiomas, é uma mulher atraente, deliciosamente intensa e, por que não dizer, íntegra!

Ela viveu histórias tórridas, paixões avassaladoras, amores eternos… Permitiu-se viver a cada um e, assim, ano após ano, aprendeu o que é amar. E, mais, compreendeu que o amor existe! Existiu e existe para ela indefinidamente de fato – essa chama estava lá dentro, pronta para ser acordada a qualquer momento.

E vale aqui uma observação: é incrível como tudo fica diferente na nossa vida quando, SIM, ACREDITAMOS QUE O AMOR EXISTE. QUE É PARA NÓS TAMBÉM. QUE TAMBÉM PODEMOS. QUE ESTÁ POR AÍ – BASTANDO PARA ENCONTRÁ-LO ABRIR OS OLHOS, OS OUVIDOS, OS SENTIDOS…

Saber dessa qualidade – entender que o amor está em nós – nos ajuda a querer compreender o que nos impede de dar e receber. O que nos apaga. O que nos faz encolher. E, mais, entender que sim, podemos mudar nossas crenças erradas, exercitar o amar de todas as maneiras, nos faz mais autoconfiantes.

O amor deixa tudo bonito. Ficamos mais atraentes, andamos como se estivéssemos com sapatinhos de nuvens e isso também tem lá seu charme. Atrai mais amor, mais oportunidades… Bom, voltemos a essa minha querida amiga…

Num belo dia, ela recebeu um telefonema de um amor antigo. Ele agora viúvo, a convidava para um encontro… E que encontro! Eles continuavam a alimentar um amor pelo outro – daqueles que sabemos ser para sempre… Enfim, conversa vai, conversa vem, decidiram se casar!

E então, bem, depois dessa decisão ela é só alegria. Mudou-se, levou consigo seus bichinhos todos – moram em uma área maravilhosa com espaço para cada coisa.
Continua escrevendo histórias com muito amor e pimenta. Divertindo-se até e permitindo-se a cada dia renovar sua escolha de amar e ser amado.

Inspiradora

Falamos-nos de vez em quando e é sempre uma grande alegria. Ela transborda felicidade. Irradia luz. É. Essa é uma amiga especial e sei que sua história sempre que contada traz o poder de inspirar muitos e muitos que, por algum motivo, deixaram de acreditar no amor.

O amor – saiba – não tem idade, não tem lógica, não tem impedimento. Ele acontece quando estamos ou não prontos.

Às vezes age assim – só para nos surpreender. Mostrar-nos que parte da existência está totalmente vinculada a esse sentimento que nos faz sagrados!

Fica aqui a pergunta: você ama? Sonha com seu amor? Está apaixonado? Permita-se!

(Sandra Maia)

18 de fevereiro de 2010

Só Hoje

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal...
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir (que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar...
Sentir teu cheiro de roupa limpa...
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...
Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...
Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje preciso de você...
Com qualquer humor, com qualquer sorriso!
Hoje só tua presença...
Vai me deixar feliz.
Só hoje


(Jota Quest
Composição: Fernanda Mello e Rogério Flausino)

25 de julho de 2009

Noites com sol




Ouvi dizer que são milagres
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol
Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol

Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela
Noites com sol e neblina
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol

Livre será se não te prendem
Constelações
Então verás que não se vendem
Ilusões
Vem que eu estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar

Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar

(Flávio Venturini)

2 de fevereiro de 2009

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples,
regada ao conselho simples de meu pai,
minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam:
"Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha”,
“Esse apontador não é seu, minha filhinha".

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe
tenho tido que escutar.
Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar
e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé
do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba", e eu vou dizer: “Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos vamos
pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo
do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto,
desde o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente
quiser, dá para mudar o final!


(Elisa Lucinda)

15 de janeiro de 2009

Paradoxo da existência

O ano pra mim começa quando faço aniversário.
Sinto que faz mais sentido pensar assim, afinal é MEU ano novo, é MINHA vida renovada...
É quando de fato eu completo um ano de vida e inicio outro ciclo de existência.
A maneira tradicional – a passagem de dezembro para o mês de janeiro – valeria pra mim se houvesse um significado coletivo, e que todos terminássemos e começássemos juntos uma nova vida no planeta, nos congraçando num gesto amplo de paz e bondade...
Mas como isso é possível?
Enquanto milhões faziam algazarra comemorando a chegada do dia 1º de janeiro, judeus viviam seu 5º dia do mês Tevet, e islâmicos adentravam o 4º dia do mês de muharram.
Se nem no calendário nos entendemos, o que dirá na geografia?
Nós aqui a soltar fogos, enquanto eles na Faixa de Gaza a se enfrentar numa guerra sangrenta...
2009 poderá ser novo pra você, como poderá ser pra mim, para judeus e adeptos do candomblé, budistas e índios do Xingu.
Mas esta é uma decisão íntima.
Eu, distante de fogos e algazarras, preferi pensar numa poesia que reescrevo a cada reveillon...
É meu jeito de irradiar bons fluidos...

2 mil e... 9
Que 2009 seja um ano pleno
Com muito crédito, e se possível nenhum juro
E que na luta pela vida
Sejamos todos, tão somente,
Pessoas em busca de um melhor futuro

Que 2009 seja um ano ameno
E que eu me sinta mais forte, íntegro e seguro
Que o amor participe da minha vida,
sem adjetivos ou subterfúgios
e que a cada manhã eu me descubra menos noturno

Que eu faça muitos amigos
- e que além de novos, redescubra os antigos -
Que eu possa crescer sem que ninguém diminua
Sorrir sem que ninguém soluce
E possa ser feliz,
Porém jamais à custa da tristeza alheia

E que ao fim do ano cristão eu me sinta como se estivesse
Sempre de novo retornando
Aqui ou no Japão,
Na Faixa de Gaza ou no Afeganistão,
No Leblon ou no bairro do Limão

E que 2009, como a cada novo ano,
o ato de envelhecer nos torne mais sensíveis
ao ponto de realizarmos o
magistral paradoxo da existência:
- Sempre que mais velho fico,
a criança que carrego em mim
Me traz mais e mais
encantos e espantos...

(Alexandre Pelegi)

11 de janeiro de 2009

Não desejo a você

Não desejo a você Paz, Amor, Felicidade, Saúde, nem Dinheiro.
Desejo que seja uma pessoa melhor e que se esforce cada vez mais por isso.
Um mundo melhor se faz com seres humanos melhores e isto só depende da vontade de cada um de nós.
Não ensine o que não sabe.
Não cobre o que não faz.
Não julgue o que não conhece.
Não maltrate por estar frustrado.
Não encante para dominar.
Não busque conhecimento para oprimir.
Não se cale quando deve falar.
Não fale quando deve se calar.
Estenda sua mão quando for preciso.
Não abandone, não seja covarde.
Faça suas escolhas pensando nas consequências a longo prazo.
Erre por excesso de zelo, jamais por omissão.
Tenha mais compaixão que dinheiro.
Tenha mais dinheiro que egoísmo.
Tenha mais fé que cegueira espiritual.
Seja amigo que diz o que pensa.
Cuide bem de si, cuide bem de quem ama, cuide bem de quem não conhece.
Não perdoe, mas cure suas feridas para poder libertar quem o magoou.
Não peça desculpas, só não repita o que sabe estar errado.
Seja feliz para ajudar o outro a ser feliz.
Não acredite em mim, tire suas próprias conclusões e VIVA SUA VIDA.

(Ala Voloshyn)

13 de dezembro de 2008

Ode ao Gato

Nada é mais incômodo para a arrogância humana que o silencioso bastar-se dos gatos.
O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.
O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência.
gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Só aceita relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de traiçoeiro, egoísta, safado, espertalhão ou falso. “Falso”, porque não aceita a nossa falsidade e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade.
O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é esperto. O gato é zen. O gato é Tao. Conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar. Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.
O gato não pede amor. Nem dele depende. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa a relação sempre precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Vê além, por dentro e avesso. Relaciona-se com a essência.
Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende ao afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando esboça um gesto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é muito verdadeiro, impulso que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe; significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode(enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).
Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe “ler” pensa que “eles não estão ali”, “saíram” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! É preciso compreender porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas.
Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato.
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração e yoga. Ensina a dormir com entrega total e diluição no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, o escuro e a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gesto e senso de oportunidade. Lição de vida e elegância, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências ou exageros e incontinências.
O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber.

(Artur da Távola - Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros, conhecido como Artur da Távola)

15 de julho de 2008

Nos fizeram acreditar...

"Nos fizeram acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Nos fizeram acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: crescemos através de nós mesmos.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Nos fizeram acreditar em uma fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Nos fizeram acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Nos fizeram acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Nos fizeram acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai nos contar isso tudo.
Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"

(Autor desconhecido)

29 de abril de 2008

Afinidade


Não é o mais brilhante,
mas é o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
Quando há AFINIDADE,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,o afeto,
no exato pontode onde foi interrompido.
AFINIDADE é não haver
tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.
Ter AFINIDADE é muito raro,
mas quando ela existe,
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
irradia durante
e permanece depois que aspessoas deixam de estar juntas.
AFINIDADE é ficar longe,
pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem, sensibilizam.
AFINIDADE é receber o que vem
de dentro com uma aceitação
anterior ao entendimento.
AFINIDADE é sentir com...
Nem sentir contra,
sem sentir para...
Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.
AFINIDADE é um sentimento singular,
discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever,de andar,de respirar.....
AFINIDADE é retomar a relação
no tempo em que parou.
Porque ele (tempo) eela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada)
pelo tempo para que a maturação
pudesse ocorrer e que cada
pessoa pudesse ser cada vez mais.

6 de fevereiro de 2008

Ciclos em nossas vidas



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.

E lembra-te : “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” (Fernando Pessoa)

26 de janeiro de 2008

Fala-nos do Amor:


- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possuinem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.