20 de março de 2011

Psicologia Positiva - A ciência do otimismo

Nascida no fim do século 20, a psicologia positiva propõe uma mudança de postura com conseqüências revolucionárias para essa área: estudar tanto o que vai mal como o que vai bem na psique da pessoa, e extrair desse lado saudável os elementos básicos para a cura

Uma novidade está ganhando força na psicologia, e seu êxito pode significar uma reviravolta e tanto numa área tão habituada a lidar com o lado escuro da mente humana. Intitulada psicologia positiva, essa corrente se baseia numa mudança básica de perspectiva: em vez de se concentrar nas falhas de seus pacientes, os profissionais preferem focar inicialmente as forças e virtudes dessas pessoas. É a partir daí que os pacientes ganham condições de superar tanto os obstáculos de agora como outros que poderão surgir.

A psicologia positiva é uma reação à tendência do setor de ressaltar apenas os estados e aspectos negativos da psique humana. Essa tendência - baseada na crença de que a virtude e a felicidade são estados inautênticos e, em última instância, a pessoa acaba por voltar a um padrão negativo - vem de muito longe, afirma Martin Seligman, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos.

"Sua manifestação primeira é a doutrina do pecado original. Na sua forma secular, Freud trouxe essa doutrina para a psicologia do século 20, na qual ela se entrincheirou e permanece firme no pensamento acadêmico atual", explica Seligman.

Segundo Alex Linley, professor de psicologia na Universidade de Leicester (Grã-Bretanha), o problema também possui razões políticas e econômicas. Após a Segunda Grande Guerra, o governo norte-americano investiu pesado no estudo de distúrbios psicológicos, como o estresse traumático, a ansiedade e a esquizofrenia.

Isso levou os pesquisadores a se concentrar nessas áreas de estudo, situação que só mudaria nos anos 1960, com o surgimento da psicologia humanística de Abraham Maslow. Mas esse movimento nunca penetrou no mundo acadêmico e, depois, com o advento da psicologia cognitiva (o segmento que estuda a percepção, o pensamento e a memória), ficou ainda mais deslocado.

A falta de rigor científico típica de muitos adeptos da psicologia humanística prejudicou a sua credibilidade ao mesmo tempo que fortalecia o setor de auto-ajuda - uma distorção que a psicologia positiva busca corrigir. "Muitos livros de auto-ajuda foram lançados com conceitos baseados em emoção e intuição", comenta o psicólogo israelense Tal Ben-Shahar. "A psicologia positiva combina isso com a razão e a pesquisa", explica.

Pesquisas apontam que o OTIMISMO é habilidade que pode ser ensinada e aprendida

UM DESSES ESTUDOS sobre o "funcionamento ótimo" das pessoas, realizado com freiras idosas, revelou que aquelas com uma perspectiva positiva da vida quando tinham entre 20 e 30 anos viveram até uma década a mais do que as demais. Outro, com pessoas a quem se solicitou que redigissem um diário todas as noites durante seis meses, registrando coisas que haviam dado certo naquele dia, mostrou que seu desempenho em avaliações de felicidade, otimismo e saúde física foi melhor do que aquelas que não escreveram. Além disso, pesquisas apontaram que o otimismo é uma habilidade que pode ser ensinada e aprendida.

Em 1998, Martin Seligman, em seu discurso presidencial para a American Psychological Association, exortou a psicologia a voltar-se para "a compreensão e a edificação das forças humanas a fim de complementar nossa ênfase na cura de distúrbios". A idéia prosperou: a Gallup Organization criou o Gallup Positive Psychology Institute para patrocinar estudos na área e, em 1999, 60 pesquisadores participaram do 1º Encontro Gallup de Psicologia Positiva. Em 2001, o evento se tornou internacional e a cada ano esgota rapidamente as 400 vagas oferecidas.

EM 2006, O CURSO MAIS procurado por alunos não-graduados na faculdade norte-americana de Har vard (uma das mecas do pensamento acadêmico tradicional) foi psicologia positiva, com quase 28% a mais de inscrições do que o segundo colocado, introdução à economia. Já existem mais de 200 cursos sobre psicologia positiva em universidades norte-americanas, além de um mestrado na Universidade da Pensilvânia (orientado por Seligman). Uma instituição de ensino público britânica - a Wellington College - incluiu aulas de psicologia positiva e felicidade em seu currículo básico.

No artigo "The Science of Happiness" (edição de janeiro/fevereiro de 2007 da Harvard Magazine), o professor de psiquiatria George Vaillant observa que no livro Comprehensive Textbook of Psychiatry (a "bíblia" clínica da psiquiatria e da psicologia clínica nos Estados Unidos) "há milhares de linhas sobre ansiedade e depressão e centenas sobre terror, culpa, raiva e medo. Mas só há cinco linhas sobre esperança, uma linha sobre alegria e nenhuma sobre compaixão, perdão e amor". A psicologia positiva tem mudado isso, popularizando termos como otimismo, resiliência (expressão da física que significa poder de recuperação, grau de elasticidade), coracoragem, virtudes, energia, forças, felicidade, perdão ou alegria.

Afora o mestrado da Universidade da Pensilvânia, ainda não existe treinamento específico para a psicologia positiva. Linley não vê mesmo necessidade disso: "Você pode dizer que qualquer profissional está atuando como um psicólogo positivo se está adotando uma abordagem que examina tanto o que está funcionando bem como o que não está funcionando."

Mas essa simples mudança de enfoque conduz o tratamento para terrenos bem diferentes dos tradicionais. No artigo da Harvard Magazine, o editor-assistente Craig Lambert ilustra: "Em vez de analisar a psicologia subjacente ao alcoolismo, os psicólogos dessa área podem estudar a resiliência dos que conduziram uma recuperação bem-sucedida - por exemplo, por meio dos Alcoólicos Anônimos.

"Em vez de ver a religião como uma ilusão e uma muleta, (...) eles podem identificar os mecanismos por meio dos quais uma prática espiritual como a meditação fortalece a saúde física e mental. Suas experiências em laboratório podem definir não as condições que induzem a um comportamento indesejado, mas as que estimulam a generosidade, a coragem, a criatividade e a alegria."

UM DOS NOMES MAIS destacados nessa área é o de Tal Ben-Shahar. Formado em Harvard, ele foi o responsável pelo curso mais requisitado da universidade no ano passado, e seus livros são best-sellers. Os exigentes alunos de Harvard endossam o sucesso. "A psicologia positiva pode ser o curso em Harvard que todos os alunos precisam fazer", diz Nancy Cheng, aluna de biologia. "Nesse ambiente de ritmo rápido e competitivo, é muito importante que as pessoas arranjem tempo para parar e respirar. Uma aula de auto-ajuda? Talvez... Mas a partir do que vi e experimentei em Harvard, acho que poderíamos todos usar um pouco de auto-ajuda como essa."

Fonte: Revista Planeta/Comportamento - Dezembro/2007

19 de fevereiro de 2011

"A vida necessita de pausas."

Enquanto penso nas pausas que a vida precisa, penso na velocidade dos tempos modernos e na impossibilidade de controle do tempo. Enfim, penso no tempo que passa soberano e implacável. Pelo tempo, todos nós compelidos, vivemos nossos momentos neste planeta, alguns bons outros nem tanto. Mas é a vida, com suas doces e amargas loucuras. Se não podemos controlar o tempo, é razoável que possamos inserir nesse contexto nossas pausas.

Pausas para calar, para sorrir, para amar, para comemorar, para deixar a dor passar, para deixar rolar, e principalmente para ser feliz! Nas pausas é que nos descobrimos melhores. Cicatrizamos as feridas da vida. E, fortalecidos, vencemos os desafios em busca de um tempo melhor.

Citação: "A vida necessita de pausas." - Carlos Drumond de Andrade

(Ivone Cunha)

5 de fevereiro de 2011

UMA RECEITA DE SANIDADE: VIVER UM DIA DE CADA VEZ

A sanidade com que vivemos cada dia repercute favoravelmente em nossa saúde psicológica e do organismo.
Vivemos uma existência onde predomina a insanidade na forma de invenção de problemas (a maioria deles não existe, não se materializou ainda) – parece que não conseguimos viver sem eles, se não os temos, tomamos posse dos das outras pessoas. Muitas vezes já nascemos como um problema para a família, ao aparecer na hora errada.
Lentamente incorporamos a crença de vivermos numa dimensão de provas e expiações, num vale de lágrimas – daí nós passamos a acreditar nisso e a cultivar sofrimentos e dores para resgatar nossos possíveis “pecados”. Na cultura atual o bem não tem vez.
Exemplo:
Conceituando a saúde como um bem e a doença como um mal – entre nós, saúde não tem valor algum para pessoa alguma até que seja perdida; então, passa a ter um valor máximo; daí é fácil concluir que a doença é que tem valor – tanto que ela detém um ganho impressionante, seja na atenção, carinho, quanto na desobrigação de cumprir tarefas. Quando você está saudável todo mundo cobra, exige e não dá retorno nem de gratidão.
Muitas pessoas sentem um prazer mórbido em viver no passado remoendo suas dores, decepções, problemas, desamor – criando e cultivando doenças, arquitetando desejos de vingança que geram conflitos com os postulados religiosos.
Quem vive no passado habita a mediocridade da ilusão.
Quem vive nos sonhos do futuro também vive na ilusão e seu futuro não será nada agradável; terá apenas o passado de volta – pois o presente foi inútil.
Vivemos um momento no planeta em que o princípio fundamental da sanidade e felicidade é o planejamento seguido de trabalho.
Aprenda com os erros de ontem que se manifestam no presente; planeje o futuro e trabalhe na execução dos planos de ontem.
Não viva de esperança apenas; ela pode ser a última que morre; mas, sem o concurso do tempo e do trabalho causa danos e sofrer.
Viver de forma simples gera eficiência e cura.
Se deixarmos de inventar problemas; nosso próprio organismo se refaz. Todo ano temos um corpo novo.
Porque não rejuvenescemos?
Simples: a velocidade e a intensidade com que nos agredimos com crenças que geram conflitos, maus hábitos, excessos – supera em muito a capacidade de regeneração que a Divindade nos ofertou.
A interpretação das crenças religiosas atrapalha muito nossa cura e sanidade; daí, eu peço aos meus pacientes que procurem colocar em prática no seu viver um dia de cada vez...
"Os cinco Princípios do Reiki" – que são desprovidos de crenças religiosas; precisam apenas de boa vontade para serem postos em prática.

Só por hoje:

Não se preocupe.
Não se zangue.
Expresse gratidão.
Seja aplicado em seu trabalho.
Seja gentil com os outros.
Não custa experimentar – o custo é zero – os resultados são maravilhosos.
Na dúvida sobre o que fazer: Trabalhe, espere, confie...

NAMASTÊ.
(Américo Canhoto)

16 de janeiro de 2011

WSPA coordena auxílio aos animais, vítimas das enchentes na região serrana do Rio de Janeiro

Com a tragédia que assolou a Região Serrana do Rio (Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis), nos últimos dias, e o estado de calamidade na região, a WSPA divulga uma campanha de doação e faz um apelo aos que desejam colaborar no auxílio aos animais, atingidos pelas fortes chuvas que castigaram o local.

Como posso ajudar?

Há duas formas de prestar ajuda neste momento: em dinheiro ou em forma de produto, doando ração e medicamentos veterinários para os animais.
As doações em dinheiro podem ser feitas por depósito em nome de:

Defensores dos Animais
CNPJ: 04.363.242/0001-09
Banco Bradesco
Agência: 0279 Dígito: 8
Conta-poupança: 172813-0

Apenas essa conta é a oficial, coordenada pela WSPA. Todos os recursos serão empregados na prestação de socorro e prevenção de doenças em prol do bem-estar dos animais.

Caso você queira doar alimento (ração para cães e gatos) e medicamentos veterinários, veja abaixo os endereços para entrega na própria região atingida. A WSPA também fez contato com alguns parceiros para apoio à campanha. O Laboratório Merial doará um lote de vacinas para prevenção da Raiva e Leptospirose, as quais serão encaminhadas para uma clínica veterinária parceira na região de Itaipava. A Pedigree confirmou a doação de 1 (uma) tonelada de ração para cães e gatos.

A WSPA coordena essa ação em apoio aos animais, junto às seguintes ONGs afiliadas: a Defensores dos Animais (Rio de Janeiro), o GAPA (Itaipava) e a AnimaVida (Petrópolis), a Combina (Nova Friburgo) e SOS Animal (Teresópolis), que estão se mobilizando regionalmente, visando minimizar o sofrimento dos animais.

1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo!
E que a felicidade traga
Liberdade para um viver
Infinito na sua existência
Zarpando para o nosso melhor


Atores que somos
Nós podemos desempenhar
O melhor do nosso papel


No ano novo que traz
O prazer de sentir
Vivo n o nosso imaginário
O grande momento do recomeçar...

(Luiz Francisco)

Presentinho de Natal

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ter certeza do que está certo,
mas é preciso coragem para ter dúvidas.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para resistir as próprias dores.

É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver!

Muita força, coragem, saúde e prosperidade.
Desejo que você seja muito feliz.
Um 2011 maravilhoso para você e seus familiares.

(Da amiga Sandra Olmedilha)

31 de dezembro de 2010

Tempo bom para 2011


Neste momento de transição temporal, onde a criatura humana tem por necessidade deitar um olhar interrogativo sobre o novo ano que irá se iniciar, faz-se mister saber que o ano de 2011 será como você quiser que ele seja. Como diria o nosso amado poeta, Carlos Drummond de Andrade*, ele será bom se você o ajudá-lo a ser bom, ou seja, compete a cada um fazer o melhor a cada dia.
O novo ano se apresenta como um livro aberto ainda a ser escrito por nós, dependendo em muito de nossa criatividade, dinamismo e preparo para transformá-lo num sucesso ou não. A nossa história é feita de tempo, um segundo, um minuto, uma hora, um dia e assim segue a nossa vida. Cada ação conta quem somos, o que seremos ou queremos ser.
A nossa história também se compõe de conhecimento. Na ignorância nos perdemos de nós mesmos, seduzidos que podemos ser por atalhos que poderão nos perder ou atrasar nossa jornada. Na arrogância pensamos já saber tudo, criamos a ilusão da autosuficiência quando cada vez mais temos prova de que somos todos aprendizes da vida neste universo em constante mutação.
Amor, benevolência, humildade, solidariedade, compreensão, consciência, alegria, autenticidade, humanismo, compartilhamento, honestidade, ética, são alguns valores, princípios, virtudes ou hábitos que podemos cultivar a todo tempo e lugar. É tempo de investir no "ser" humano e espiritual, cabendo a cada um a responsabilidade de escolher e semear boas sementes, para que 2011 seja um tempo bom e pródigo em boa colheita.
Boa reflexão e viva consciente.

* Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema "Previsão do Tempo" para 1967.

(Willes S. Geaquinto) - publicado no Recanto das Letras - 30/12/2010
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2699831

21 de dezembro de 2010

Atalhos

Quanto tempo a gente perde na vida?
Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros
Sim, depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, etc.
E aí, mais tarde, demora pra entender certas coisas.
Demora, também, pra dar o braço a torcer.
Viramos adolescentes (aborrecentes) teimosos e dramáticos.
E levamos um século para aceitar o fim de uma relação. E outro século para abrir a guarda para um novo amor.
Quando, já adultos,demoramos para dizer a alguém o que sentimos,
demoramos para perdoar um amigo,
e demoramos para tomar uma decisão.
Até que um dia a gente faz aniversário, 37 ou 41 anos. Talvez 50 e tal....
Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto.
E só aí a gente descobre que o nosso tempo não pode continuar sendo desperdiçado.
Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado, no segundo tempo, e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro.
Ou fazer tabelas desnecessárias.
Quanto esbanjamento. E esquecemos que não falta muito pro jogo acabar...Sim, é preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso.
Pois tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto.
Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar.
E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando.
Não esperam sentadas, não ficam dando voltas e voltas.
E não necessitam percorrer todos os estágios.
Queimam etapas.
Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você?
Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito?
Beije-o primeiro e veja se ele, realmente, interessa e transmite algum sentimento.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade.
Paciência para ver a tarde cair.
Paciência para degustar um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros.
Paciência para escutar um amigo.
Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação, um atalho.
O maior possível!

(Martha Medeiros)

19 de dezembro de 2010

Doce Loucura


A boca ainda úmida de um beijo
Tocou maliciosa no meu rosto
E murmurou palavras de desejo
Queimando a minha pele como fogo
Acelerou meu sangue
Me arrepiou a pele
Provocou minha mente
Despertou meus sentidos
Alucinou meu peito
Meus músculos e nervos
Na mais doce loucura
Esse amor
Sem preconceitos e receios
No calor do aconchego
Dos seus seios se fez lindo
E me fez enlouquecer
Nesse momento de prazer

(Mauricio Duboc / Carlos Colla)

Se...


Se eu pudesse parar a minha vida
E dar à eternidade um só momento,
Se eu não tivesse o meu destino preso
Ao destino das coisas no espaço...

Se eu pudesse destruir todas as leis
E dentro do universo que se move
Parar meu mundo,
Haveria de escolher esse segundo
Em que eu estivesse nos seus braços.

(Autor desconhecido)

As Baleias


Não é possivel que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento

Não é possivel que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que voce deixou manchadas

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Como é possível que voce tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à furia louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

8 de novembro de 2010

Brilho no Olhar


Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo .
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.
E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e,como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mascirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas desenhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se "mudança". De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novoscomportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vidatoda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa ficaescancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
(Lya Luft)

24 de setembro de 2010

Leonardo Boff: A mídia comete sim abusos ao atacar Lula e Dilma

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.
(Leonardo Boff)
Fonte: Adital